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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sol de inverno.

Está começando a fazer frio, e nada nesse ano lembra Mily do passado. Tem feito tudo na maior dedicação que pode: estuda, organiza suas coisas e se esforça para fazer parte da vida dos amigos. Não sobra tempo livre para sua mente vagar por ai. A não ser no banho, sim, porque quando a água do chão quente demais contrasta com a temperatura do dedo dos pés e o cabelo começa a cair no rosto ela não se importa de não enxergar mais. Quer esquecer de esquecer, reviver os minutos e os segundos. Todos os banhos que tomava para se arrumar e os que cantava para estravasar toda a felicidade que sentia.
Na cama, a mente não vagava para o lado negativo. Como se o travesseiro a lembra-se ela sonhava com um amanhã de amores, quando esse outono passar e o inverno finalmente acabar. Quem sabe não seja das flores que ela sente falta, ou do biquíni. Essas roupas que a deixam parecendo boneco de neve não andam ajudando. Mily tenta. Ah se tenta. Se recusa a pensar no que vai fazer amanhã. Faz tudo hoje, pra viver sem medo todos os medos e tentar concertar os defeitos. É a nova ela. A terceira que ela tentou, sempre há aquelas três fazes que ela não sabe pular.
Primeiro ela não acreditava no fim, e sim num recomeço; ia provar que podia e que merecia. Mas ao mesmo tempo tão triste, e sem força não queria mais ver dois palmos a sua frente que não fossem a solução. A segunda, a pior - e ainda bem a mais curta - durou algumas semanas. Pensava que era o jeito de fazer as coisas se concertarem, fez vários amigos - que com certeza não irá deixar para trás na terceira - e se divertia sem um pingo de razão. Nada, nem tomava cuidado ao andar: que o mundo me traga o que me é de direito. Mily sabia que era errado, e acordou. Com um empurrão forte demais que doeu, mas acordou. Tem feito tudo na maior dedicação que pode: estuda, organiza suas coisas e se esforça para fazer parte da vida dos amigos. Não sobra tempo livre para sua mente vagar por ai. Se vagar, ela tem medo de voltar ao primeiro e o ciclo vai recomeçar.
Ela tem feito um ótimo trabalho. E melhora a cada dia, mesmo nos piores, ela fica um pouco mais forte. Músicas no CD que a lembram do passado a fazem sorrir e não mais triste, porque sem medo de que o mundo lhe tenha prometido ela vive. Ah como tem vivido. Como uma nova ela, melhor, com experiências. Crescida.
Hoje está fazendo sol e Mily está com somente uma blusa de lã além de da de manga-cumprida. Nada de boneco de neve, e o cabelo preso em um coque. Quem sabe não seja um aviso. Mily adora quando as coisas parecem lhe avisar. Intuição, mas quem sabe não dê tudo certo.

Finalmente satisfeita com a foto - que é a única coisa que eu fico 100% feliz, porque de resto é sempre imperfeito-. E estou começando a escrever algo novo, mais para uma história que apenas um texto. Quem sabe eu não poste aqui ele! Finalmente a escola deu um tempinho pra gente respirar, mas tudo acaba na quarta-feira. Não gosto de fins. Boa semana para todos!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O amor é cego.



Ela tinha o tempo contado, não de vida, mas para ir embora. E como sempre estava ali, do lado dele, enquanto ele lhe disparava palavras que arrancavam o coração dela. Não eram direcionadas a ela, e sim aquela outra que quebrou o coração dele. Como o melhor amigo. E enquanto ela ouvia ele gaguejar pela dor na garganta ela queria chorar com ele.
É horrível ver alguém que você verdadeiramente ama chorar, mas é pior quando se sabe que pode concertar aquilo, mas não pode. O querer e não poder, coisa de criança estúpida que quer mais que a mão pode agarrar. É isso mesmo, ela queria ele. Demais para ela, perfeitamente imperfeito, feito com todos os defeitos e qualidades que o faziam extremamente especial.
E ela o esperou, ele se recompôs. Fez-se caras de felicidade e continuaram o caminho sem medo de que um dia fossem se separar. Ele se apaixonou de novo, e quebrou o coração da garota. "Estou apaixonado" ele dizia como nunca havia dito antes, e os olhos nas nuvens enquanto passeavam por ai para matar o tempo que sobra.
Uma esperança gritante era o que ela tinha no fundo do coração. 'Pode ser você!', ela dizia com a maior força que seu tamanho permitia. Mas a mente racional e pé no chão demais de Melissa esmagou-a com trilhões de memórias dentre os beijos e amores passados. O tempo que passou sozinha enquanto ele se divertia, e o que tinha que ouvir por ter ficado sozinha. Era a solidão e a importância tremenda que ela dava a Jack.
Ele compensava com tardes inesquecíveis, palavras sinceras e ombros amigos sem questionar o motivo do choro. Ele sabia mais do que ninguém que ela era quieta em seu canto e que nada nem ninguém manipularia ela para algo que não quisesse. Ele percebeu isso tarde demais. Esse era o medo de Jack que fosse tarde demais para se acostumar com os defeitos dela, que Melissa estivesse já enjoada dos seus e que ele a apreciasse sem um retorno.
Melissa olhava nos olhos de Jack meses depois do episódio em que ele havia terminado o último namoro e ele contava a ela como queria poder estar com ela o tempo todo. Porque tudo fica mais fácil, menos confuso e ela é linda. Um erro, uma palavra e um sorriso.
Na soma de tudo, um beijo. Que mudou o caminho que eles faziam para matar o tempo e as conversas e tardes. Mudou tudo, porque eles estavam apaixonados. Sempre estiveram, era só o medo de encarar.

Quando dizem que o amor é cego, não se deve levar só para o lado negativo. Se encherga os defeitos, e os aceita. Não se cega ao modo como as vezes acontecem erros, se perdoa. E tantas vezez há uma procura incessante lá fora pela pessoa certa, e se cega à quem já está dentro do seu coração.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Seguindo em frente

- Como você espera que eu ainda seja a mesma pessoa? Meu pai morreu, e antes disso, você me deixou. Não tem como trazer a sua namorada de volta, porque adivinha? Eu não sou mais. Eu nunca acreditei no destino, e ai te entreguei o meu, você ia escrevendo minha história e eu só vivia ela. Aceitando. Estúpida. Eu deveria saber, que você não iria cumprir tudo o que me prometera, e ainda ficava bravo quando eu passava e falava com você. Estúpido.
Josh olhou nos olhos de Malanie que sorria de um jeito sínico com lágrimas nos olhos, que ela se forçava para esconder. Porque não era tristeza e nem saudade, era ódio. Dela mesma, como poderia ter entregado seu coração aquele? Sua mãe a tinha avisado, mas ela queria ficar com ele para fazer o pai feliz. O pai que havia morrido, acreditava que ela não podia ficar sozinha, porque quando ele morresse ela precisaria de alguém.
Melanie tomou as palavras se seu pai as suas e acreditou piamente em tudo. Seu jeito de sorrir e de andar, ela era tudo que as pessoas queriam que ela fosse. Perda de identidade adolescente, como ela era hipócrita, sempre achando que aquilo não aconteceria com ela quando lia livros meramente ficticios.
- Melanie, eu não quero te iludir mais, tudo isso que passamos, significou muito. E eu ainda gosto de você, não deveria ter te deixado, mas eu precisava viver um pouco, para saber que era com você que eu queria ficar sempre. Você me conhece, eu preciso ver as coisas por mim mesmo, e eu sempre me arrependo, nada que eu digo pode ser levado muito à sério. Você sabe, isso acontece desde que eu tenho 7 anos!
- Bingo bobalhão, idade mental não importa mais quando se tem 17. Cressa e seja feliz com a sua vida, me esquece. Me deixe seguir a minha, ser feliz, não quero ser sua amiga. Preste atenção nos seus atos e deixe-me seguir em frente. Sei que posso fazer isso sozinha.
- E eu? Como vou viver sem você?
- Muitas meninas serão como reabilitação para você. Sinta-se a vontade para beijar quem bem entender.
Melanie voltou para a rua que ela estava seguindo e assim fez Josh. Se era o que ela queria, ele iria seguir em frente, sem falar mais com ela. Não era o que ele queria, e nem era mentira nada do que dissera, mas não queria fazer ninguém ver que ele ainda gostava dela. E afinal ele ainda era um homem a zelar, e com certeza, algumas novas namoradas o fariam bem. Melanie o conhecia bem demais.
Os dois olharam para o passado que haviam deixado para trás naquela tarde com pesar. Um pelo tempo gasto e o outro pelo tempo disperdiçado. Dar valor ao outro e a si mesmo era uma das coisas principais na trilha para a felicidade de ambos. E o caminho era longo demais, mas com certeza eles chegariam lá, sozinhos ou não. Mas isso, só o destino pode fazer.

Sem muito o que falar a não ser em como eu ando vendo coisas fofas demais e por todos os lados. Inspiração é o que não falta num mundo hoje em que amor é uma coisa muito mais bonita.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Ah, o amor.

Fazia um frio que pinicava a pele de Samantha, enquanto ela observava os passáros em seus voos perfeitos, em que não há nem se quer uma asa fora do lugar, onde o vento os leva para o lugar certo. Seria assim com o amor dela também? Ela sabia ter tanto a oferecer, ela sabia ter um amor incondicional, um amor merecido da junção das palavras "eu te amo", um amor verdadeiro.
Samantha sabia exatamente o que dizer e quando dizer, ela diria "não" quando estaria berrando um "sim" em sua cabeça, ela era manipuladora. Ela é especial. Era o que seu irmão lhe dizia todo dia com um beijo na testa e uma promessa de volta, ela esperava. Esperar era o que Samantha sempre fazia, durante tantos dias, durante toda a sua vida. Ela esperava por mudanças, esperava pelo irmão esperava pelo amor.
Samantha tinha amor para destribuir, por tudo que ela queria e quis, ela precisava de alguém que morresse por ela e que ela faria a mesma coisa por ele, ela queria tanto um alguém para lhe explicar que tudo o que ela acreditava era errado e que um dia ela iria sim encontrar um amor para vida toda, que ele estava ali e que seria eterno.
Samantha pensava em tantas coisas que sua cabeça as vezes se atolava, e ela não sabia mais o que fazer, como agir, ela confundia os caminhos e acabou tropeçando em pedras pelo caminho em que escolheu. Pensou em voltar, mas só de lembrar de todas as pedras que ela demorou tanto para burlar, ela continuava seguindo.
Pé ante pé, com os dedos apertados em um palmo que ela mesma não teria coragem de soltar, contava as respirações, os passáros, as árvores, para ver se aquela sensação arrasadora passava, quem sabe ela conseguisse enxergar alguma coisa quando isso passasse. O fogo que começava em seu estômago agora estava em seu coração, chegando a seu cérebro, ela não estava entendo o que era tudo aquilo, não entendia de onde viria tanta fúria, tanto ódio da espera. Sem visão e já dominada ela caiu.
E então ela conseguiu ver, havia um penhasco, logo a sua frente, onde ela não conseguia destinguir onde ele acabaria, e nem se acabaria. Ela entendeu o que estava fazendo, o que estava perdendo esperando, sentiu os olhos lhe perfurando as costas e os passos apressados em sua direção. E correu o mais rápido que pode, Samantha corria até sua garganta doer para se engolir a saliva, até ela ter certeza de que era impossível se escutar a respiração da culpa logo atrás dela. Fugiu da culpa, da responsabilidade e de todas as pedras, Samantha não sabia o que viria depois, só sabia que tinha encontrado a coragem no meio do caminho e que a usaria, e que conquistaria o que estava logo ali a frente. Ela se sentiu pronta, sentiu o que viria pela frente, suspirou e deu um passo a frente. O amor.
Ela é linda.

domingo, 14 de março de 2010

Portas



Jay. Quando eu o conheci ele estava saindo de casa com um livro de ciências sociais e seu celular preto no bolso esquerdo de sua calça jeans preferida. Estava com uma blusa azul que significava que queria ter um bom dia, Jay acreditava da influência das cores em nossas decisões. Mas eu não sabia disso naquele momento. Apenas o observei, com o cabelo se mexendo devagar, como se estivesse embaixo de um lago, cada vez que a brisa que vinha do norte o rodeava. Isso hoje parece mais fantasioso do que quando eu nem sabia seu nome, nem o número de seus sapatos, só sabia que ele tinha alguma influência sobre mim.
E então, Jay me abandonou. Não completamente, ele ainda mora na casa da rua 69 com a 30 e continua a freqüentar o último ano do colégio, ele não foi embora. Só me deixou na chuva. Sozinha. Acho que seria melhor se ele tivesse ido embora, eu não o veria, seria bem mais fácil esquecer o jeito como você anda apressado quando está nervoso, e em como a sua camiseta vermelha ainda cola em seu braço esquerdo sempre que você pressiona os dedos contra a palma da mão.
E como Jay não me deixava esquece-lo, eu resolvi deixa-lo sozinho com suas manias de colóquios e o seu jeito de comer sanduíches. Eu o abandonei, mas não totalmente. Eu não lembro mais do ângulo do nariz dele e nem qual é o exato tom de castanho que seus olhos penetrantes tem, como eu costumava saber. Parece que as memórias de momentos, de você concreto foram decompostas como as folhas de inverno caídas na terra, com o tempo. E tudo o que me resta são as sensações.
As malditas e intrigantes sensações. Elas sempre pregam peças sobre mim. Andando pela rua quando vejo um pouquinho de Jay em algum lugar, elas parecem gritar em desarmonia, como crianças lutando contra o sono, todas ao mesmo tempo. E quando elas gritam meu corpo pára. O sangue coagula, a respiração prende na garganta e qualquer movimento parece ser fatal. Mas aos poucos elas se acalmam e eu posso voltar a respirar. Nunca é o Jay. Mas elas sempre acham que é. E quando eu tento explicar que ele ficou pra trás como desenhos animados elas não me escutam, sério. Sempre contestam:
- Você as vezes vê desenho animado, lembra de uma frase, de um personagem. Doroty, você não os esqueceu. - E dessa vez, eu não escuto.
Nem a natureza ajuda nesse abismo, ela sempre o encurta cada vez que eu coloco mais dois passos de distância. O vento me traz o barulho regular de sua respiração; os pássaros cantam parte de sua melodia; o mar traz de volta todas as coisas que relacionavam você a mim. Todas pessoas carregam algo de você pra mim, um simples chacoalhar de cabeça que pareceu muito com o seu naquele dia de dificuldades.
Há um lado esquerdo de mim que se recusa a acreditar em todas as outras pessoas, ele só quer acreditar em tudo que já me aconteceu. Nada de destino, impulso, erro. As pessoas mentem, nos fazem sofrer, e temos que aprender a deixa-las para trás. Jay é uma dessas coisas. Coisas boas podem ser nutridas, mas com uma certa distância que é para não cair no erro de se entregar mais uma vez. Me recuso ouvir o lado direito, esse me parece mais certo.
O último bilhete que tinha para te entregar ainda está conservado entre o velho livro de histórias que eu lia no dia em que choveu e eu vi sua camiseta preta com pequenos pingos nos ombros e seu rosto parecia se desmanchar com a intensidade da chuva como papel, eu não pude resgatar nada. Nem de nós e nem de você. Ficou perdido Jay, confuso. Um pingo me acertou o braço e o outro minha nuca enquanto olhava o trabalho das gotas na calçada. Meu objetivo estava tão próximo que nem me preocupei em mais nada a não ser com a próxima esquina.
Bati na porta já limpando os pés, com uma intimidade que não soube explicar da onde veio. O cheiro de arroz, tortas e um perfume de mulher inundavam a chuva daquela tarde de quarta-feira. Em algum lugar por ali alguém se apaixonava e outro chorava pela morte de alguém querido. Eu deveria estar em algum outro lugar, fazendo alguma coisa que certamente outra pessoa estaria fazendo também, mas não estava. Jay também deveria estar em outro lugar, mas eu também sabia que não estava. O barulho da porta velha ecoou na varanda, e um sorriso divertido brincava no rosto de Jay.
- Posso entrar? - Disse Doroty envergonhada
Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la. (Augusto Curi)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Estações



Já havia passado a tarde toda observando, a noite começava a cair e lá estava a Pequena Solitária. Como todos eles a chamavam. As pessoas que ocupavam o parque, digo. Sempre ali sentada, parecia analisar os movimentos de todos que passavam por perto, ela os estudava, e guardava suas analises na mente há algumas semanas. Sentada na frente do expansivo lago que ela observava durante minutos, longos minutos, difíceis minutos.
Seus olhos pareciam refletir a água de lá, e Pequena Solitáira chorava ali, silenciosamente enquanto as pessoas passavam por ela sem notar o quanto ela parecia estar sofrendo. E eu observava o seu longo cabelo preto de contraste com aquela neve branca que começava a cair no parque, mas ela ainda continuava ali. As pessoas iam e vinham, e a Pequena Solitária ainda ali.
O que há de errado com ela?, eu ficava me perguntando. E sempre me encontrava encarando o frio, o vento só para ver a Solitária em sua espera pelo incompreensível. No dia mais frio em que havia encarado para encontra-la, eu a via indo pelo caminho para onde poderia ser sua casa, ou para onde ela provavelmente acharia o que tanto procura, não posso dizer com certeza, só posso afirmar que ela não apareceu no dia seguinte, e nem no outro, e nem na semana seguinte, e muito menos no mês seguinte. Eu sempre ia ali para vê-la, e ela nunca estava lá. E quando me dei por mim, estava passando pelo parque novamente, tão mudada, tão crescida! O parque parecia outro sem toda aquela neve, era primavera. O cheiro de flores inundava o lugar, e quando me vi, estava sentado no banco da Pequena Solitária.
Então entendi. O que ela fazia lá, o que ela esperava, o que ela procurava, e então eu percebi o que eu procurava. Aqueles meses todos me questionando sobre seu destino, sobre se ela finalmente haveria encontrado a quem ela tanto procurou, e ali estava eu, procurando por respostas. Era tão incomum ter tantas perguntas zanzando em minha cabeça. Perguntas eram interrompidas por mais outras que queriam atenção, e respostas pareciam querer saltar de minha língua a cada urgente negrito que aparecia em meus questionamentos. Resolvi ir embora.
No dia seguinte, automaticamente me vi passando em frente ao seu banco e ao lago. As tantas lágrimas que a Pequena chorou, todas reunidas ali, uma a uma, sofrimento por sofrimento, dia a dia. Refletidos como num espelho, se expondo, disputando para serem apreciados. E mais uma vez eu pareci ve-la refletida em suas aflições.
Um pequeno papel estava preso entre minha surradas butinas e o gramado verde primaveril, se retorcendo sempre que o vento soprava, implorando por liberdade. Eu ergui o pé e o seguirei entre o dedo polegar e indicador. Havia uma singela mensagem. "Cara observadora, veja além do que os olhos podem ver. Veja com o coração" Não me interessei pelo remetente, ou endereçado.
A cena se repetiu por mais duas vezes e ambas com a mesma mensagem. E logo estava eu lendo a todos os pequenos papeis jogados, esperando que houvessem mais bilhetes. Entre o jornal e a carta de meu namorado, ali estava, mais um pedaço de papel rasgado: "Talvez se sinta sozinha, procure o poço de minhas lamentações, ele lhe acolherá como me acolheu".
Não demorou muito, e ali estava eu, como a Pequena Solitária, observando os outros, na incessante busca do futuro, chorando por reflexos, sofrendo por tabelas, esperando que fizesse sentido.E em uma tarde de outono, havia uma pequena errônea estragando a perfeita paisagem laranja. Como as folhas, mas um conselho pousou em meu colo: "Não espere pessoas, não espere o material, procure a intenção, corrija o erro".
Já havia passado a tarde toda observando, a noite começava a cair e lá estava eu. Estava preste a ir mais uma vez para casa na busca da voz que eu procurava escutar, que me faria desistir de chorar por esperar. O lago estava ainda mais brilhante do que antes, mas do que quando a Pequena Solitária o observava. Ele não estava me refletindo. Parecia sorrir. Alguém se sentou ao meu lado, e sem olhar para mim, questionou-me:
- O que você tanto espera? Observo-te a alguns minutos, e não entendi ainda o que observa!
- Razão. - respondeu a voz que eu procurava ouvir por tantos instantes.

Ganhei um selo da Bells, tão lindinha. Obrigada amorzinho, alias, dêem uma olhada no blog dela gente: www.rastros-singulares.blogspot. Mar. Ota. (piadas internas).
Eu sei, parece muito confuso. Eu tentei afinal. Leiam escutando "I Think I'm Ready - Katty Pery" achei tão a cara desse texto esse ritmo, e espero que se apaixonem pela música e pelo texto, claro. As coisas estão parecendo se clarear, mas ainda não estão ilegiveis. Se é que me entendem... O título, não direcionem somente para as estações do ano ok? Tentem levar o texto para o lado mais profundo, ou tentem como eu! Queria agradescer por todos os comentários no outro texto, é tão importante e especial quando vocês comentam, que me sinto inpirada para escrever toda semana, haha. Obrigada!