quarta-feira, 7 de abril de 2010

Desconhecidos

A próxima a entrar era uma menina, seguida de um menino loiro dos olhos pequenos e assim foi durante a tarde toda. Todos os meninos e meninas entravam e faziam a prova com suas dificuldades e suas dúvidas, me arrisquei algumas vezes a entender a personalidade dos participantes daquelas provas que eu estava aplicando. A última participante havia dito que estava atrasada e que ia demorar, esperei lendo minha revista preferida. Será ela iria demorar muito? Se sim, iria embora e ela que voltasse outro dia, outra hora, ou nem voltasse.
- Desculpe o atraso, a chuva me pegou no meio do caminho e tive que comprar um guarda-chuva, bom, esquece. Podemos começar? - ela entrou na sala sacudindo o guarda-chuva e arrumando o cabelo preto presa em um rabo-de-cavalo bem feito. Deslizei meu pé para debaixo da mesa e comecei a fazer as perguntas padrões:
- A prova pode ser feita em forma oral ou escrita.
- Escrita por favor, - ela já estava com um estojo pequeno sobre a mesa enquanto acrescentava - eu me expresso melhor pela escrita. - Um sorriso rápido brincou em seu rosto, mas rapidamente a concentração atingiu seus olhos e suas feições ficaram sérias. Eu a entreguei em sem palavras e ela fez sem perguntas.
A menina tinha uma mão pequena e feminina, segurava o lápis com firmeza e determinação, havia uma insistente mexa de seu cabelo que caia sobre seus olhos e sempre o colocava para trás com um suspiro. Ela parecia tão frágil, a menina... Como era seu nome? Clarissa constava na fixa, e fiquei procurando se ela tinha nome de Clarissa. A curva de seu rosto era em formato de C e com certeza ela tinha a força do R, mas era frágil quanto a um dos esse's e precisava se apoiar no outro, havia uma saudade no fundo dos olhos dela, como os dois separados a's e finalmente, a singularidade do I. Então, senti uma atração por ela, como era possível eu querer abraçá-la e beijá-la até aquela dor que parecia haver em como ela mexia os lábios cessar, até ela parecer mais feliz.
- Bom, muito obrigada por ter me esperado - ela disse já entregando a prova, tão rápido e tão mulher, me tirando de meu raciocínio. Não podia deixa-la de ir embora.
- Quer esperar a nota sair? Quem sabe a chuva não parou até lá.
Ela pareceu sorrir com os olhos, mas se manteve fria e se sentou apenas com um acenar de cabeça. Sentia seus olhos me perfurarem minhas costas enquanto corrigia suas costas, será que estava sentindo o que eu estava sentindo? Virei para ela que sorrio ao em vez de se sentir envergonhada.
- Parabéns. - lhe entreguei a folha com seu resultado e o orgulho inundou a sala. - Que tal eu lhe dar uma carona? Não se preocupe levo aonde você quiser.
- Claro, eu moro logo ali do lado, a umas 5 quadras. - O que aquela menina estava pensando? Eu podia fazer mal a ela, quase lhe dei uma bronca ali, ela parecia tão mais nova que eu, apesar de não ser, eu precisava protegê-la. Mas só de saber que iria ficar sozinha e saber onde ela morava, já era um alívio.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Desculpe por não mentir.

Taylor, não me pergunte nunca se eu te amo, eu te peço. Pelo amor que você diz sentir por mim e pelo conceito que você tem amor, não me pergunte isso. Porque eu sei que você pensa como o resto da população, me acha louca e sabe o que é amar. Se você me perguntar se te amo eu vou ter que te falar sofrendo que não.
Não fique chateado comigo, não vá embora e nem chore. Eu explico. O que a gente sente tá crescendo e eu sei que um dia você vai me perguntar isso, então, resolvi me adiantar. Não, não é isso que você pensa Taylor. Espere! Ouça, você diz que me ama por todas as vezes que pensa em mim num dia, por todas as vezes que me viu em um sonho e por momentos especiais juntos certo?
Eu não penso como você. Eu não penso em você algumas vezes por dia, eu não te tiro da cabeça. Não te vejo em sonhos, você é o principal motivo para eu dormir, te ver, te tocar em uma dimensão infinita dominada pela imaginação é extraordinário! E todos os momentos em que uma onda do mar me lembrou o tom da sua voz são importantes. Querido Taylor, há tanta coisa que você não sabe.
Minhas amigas dizem que quando vêem a pessoa que amam o coração dispara, o meu salta e para de bater. Elas dizem que quando há uma surpresa o coração para e o meu faz o contrário. Quando dizem alguma coisa errada elas se irritam e não param de falar, eu me calo. E quando é grosso, elas se calam assustadas, eu começo a tagarelar.
Taylor, me desculpe por não te amar do jeito normal, mas você sabe que eu não sou normal. Há alguma coisa de errado comigo caro Taylor? E se quiser ir embora depois desse vexame entenderei, meu coração parará quando deveria bater forte pela corrida que iria fazer atrás de você. Mas ficarei fincada no chão, me conheço. Me perdoe, não da pra correr. Adeus.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Reorganizando as coisas

Hoje eu chorei. E ontem eu também chorei. Tenho chorado bastante pensando bem. Muito para os dias de hoje, eu nunca vi alguém chorando. É uma coisa exclusiva. Chorei pelo que não fui; pelo que fui e não sou mais e pelo que nunca vou ser. Chorei por ter desperdiçado oportunidades, e ter agarrado o que não devia. Só chorei. Queria que todos soubessem o que se passa aqui dentro. Que há um redemoinho gigantesco, ele parece misturar tudo, e então eu não encontro mais os sorrisos felizes e os fingidos, e sem querer eu os troco e coloco em horas erradas.
Achei que iria aparecer alguém para limpar tudo isso pra mim, todo mundo chama de grande amor. Eu o procurei, de verdade, eu mergulhava no olhar de muitos que eu encontrei por ai, e mesmo de quem eu já havia mergulhado, procurei por qualquer que me interessasse novamente. Eu não achei nada em ninguém. Mas a bagunça estava demasiada, eu precisava de alguém que pelo menos colocasse as coisas dentro das gavetas novamente. Não precisava organizar, só botar em ordem já estava ótimo para mim. E apareceram pessoas que pareciam se interessar em fazer isso. Eu me entreguei a elas, a um número muito grande "delas". Nenhuma nem se quer deixou alguma coisa nova em minhas gavetas. Nada.
Eu gastei tempo e sorrisos que eu deveria ter guardado para essa pessoa que viria arrumar tudo. Mesmo depois disso eu me recarregava em noites perturbadas e ia a procura de alguém que pelo menos deixasse um sentido para aquela bagunça continuar ali. Só precisava deixar uma promessa de arrumar um dia, eu me contentaria. Mas nem isso fizeram. Toda vez que eu olhava para toda aquela bagunça determinada a arrumar aquilo tudo, eu dava as costas certa de que alguém ia arrumar um dia. E eu encontrei. Bruno. Ele deixou tudo em ordem, até reescreveu umas histórias com seu ponto de vista, com seu olhar embutido. Eu estava feliz, estava tudo no lugar como alguém havia me explicado que aconteceria. Não consegui entender o Bruno. Ele demorou tanto para arrumar toda aquela bagunça, demorou mais ainda para conseguir a permissão para arrumá-la. Recebeu a permissão para entrar no meu coração, na minha vida, na minha história. Ai, ele bagunçou tudo, disse obrigado pela hospedagem, e precisava ir, que quando voltasse a gente ia conversar.
O Bruno foi e eu esperei que ele voltasse. A bagunça acumulava, as músicas no rádio eram dedilhadas por nossos sonhos. Mas ele quebrou. Tudo só aumentou, com as pessoas que entravam e deixavam alguma coisa, e por quem entrava e tirava alguma coisa que alguém tinha deixado meio que arrumado. Ninguém fazia direito.A bagunça me cansou, e em uma tarde eu estava deitada na minha cama arrumando minha bagunça interna. Eram tantos momentos, revivi todos pela segunda vez. Pontuando erros e acertos, vibrando com vitórias e chorando com derrotas. Eu arrumei tudo, por ordem, por acontecimento. Tinham caixas que eu deixava no fundo do esquecimento, assim eu só iria lá quando precisasse mesmo reviver alguma coisa pra esquecer o presente. Ontem eu fui. Lá tinha alguma coisa ditada por mim, a muito tempo. Uma amiga tinha deixado para mim, ela me trouxe o passado diferente do que vejo. Estava escrito:
"De-me uma pessoa que nunca riu para não chorar contrariando seu ego! Hoje pode ser você, mas já já pode ser nós, ela, ninguém, aquela.... Menina, acredite, você vai passar por fases, espero que lembre-se de mim quando perceber que já enfrentou uma inteira. Eu estarei comemorando sua vitória em algum lugar. Você conseguiu, parabéns por fazer tudo tão humano. Você errou, assumiu. Agora você é criança matura. Vai viver essa fase da tua vida que quando você vencer essa a gente comemora de novo".
Sorri. Não pensava no Bruno desde que conversamos pela última vez, a alguns meses. Nessa bagunça toda tem tanta risada dele, as marcas de seu tênis por alguns papéis, o cheiro do seu perfume acumulado em alguns cantos com pouco vento. Ele está tão invisível que pareceu nem existir, eu ainda consigo lembrar dele, vagamente. Não faz sentido desarrumar tudo procurando onde erramos para concertar. Eu sei onde foi, erramos quando ele bagunçou isso aqui tudo antes de ir. Não vou cometer teu erro, Bruno.

Pessoas, então? Isso é mais um Refúgio! Realmente aconteceu comigo, e depois de um ano eu deixei tudo fluir, escrevi TUDO. Aqui está querido, o que você deixou em mim está guardado em cada vírgula desse texto. Imagino que não se importe não é? A partir de publicado, você faz parte do meu passado. Como se ele fosse ler isso, de qualquer jeito. Pessoas, eu não consigo comentar no blog de muita gente por causa da confirmação das letras que não aparece completa. Me perdoem. Um beijo para todas.

domingo, 14 de março de 2010

Portas



Jay. Quando eu o conheci ele estava saindo de casa com um livro de ciências sociais e seu celular preto no bolso esquerdo de sua calça jeans preferida. Estava com uma blusa azul que significava que queria ter um bom dia, Jay acreditava da influência das cores em nossas decisões. Mas eu não sabia disso naquele momento. Apenas o observei, com o cabelo se mexendo devagar, como se estivesse embaixo de um lago, cada vez que a brisa que vinha do norte o rodeava. Isso hoje parece mais fantasioso do que quando eu nem sabia seu nome, nem o número de seus sapatos, só sabia que ele tinha alguma influência sobre mim.
E então, Jay me abandonou. Não completamente, ele ainda mora na casa da rua 69 com a 30 e continua a freqüentar o último ano do colégio, ele não foi embora. Só me deixou na chuva. Sozinha. Acho que seria melhor se ele tivesse ido embora, eu não o veria, seria bem mais fácil esquecer o jeito como você anda apressado quando está nervoso, e em como a sua camiseta vermelha ainda cola em seu braço esquerdo sempre que você pressiona os dedos contra a palma da mão.
E como Jay não me deixava esquece-lo, eu resolvi deixa-lo sozinho com suas manias de colóquios e o seu jeito de comer sanduíches. Eu o abandonei, mas não totalmente. Eu não lembro mais do ângulo do nariz dele e nem qual é o exato tom de castanho que seus olhos penetrantes tem, como eu costumava saber. Parece que as memórias de momentos, de você concreto foram decompostas como as folhas de inverno caídas na terra, com o tempo. E tudo o que me resta são as sensações.
As malditas e intrigantes sensações. Elas sempre pregam peças sobre mim. Andando pela rua quando vejo um pouquinho de Jay em algum lugar, elas parecem gritar em desarmonia, como crianças lutando contra o sono, todas ao mesmo tempo. E quando elas gritam meu corpo pára. O sangue coagula, a respiração prende na garganta e qualquer movimento parece ser fatal. Mas aos poucos elas se acalmam e eu posso voltar a respirar. Nunca é o Jay. Mas elas sempre acham que é. E quando eu tento explicar que ele ficou pra trás como desenhos animados elas não me escutam, sério. Sempre contestam:
- Você as vezes vê desenho animado, lembra de uma frase, de um personagem. Doroty, você não os esqueceu. - E dessa vez, eu não escuto.
Nem a natureza ajuda nesse abismo, ela sempre o encurta cada vez que eu coloco mais dois passos de distância. O vento me traz o barulho regular de sua respiração; os pássaros cantam parte de sua melodia; o mar traz de volta todas as coisas que relacionavam você a mim. Todas pessoas carregam algo de você pra mim, um simples chacoalhar de cabeça que pareceu muito com o seu naquele dia de dificuldades.
Há um lado esquerdo de mim que se recusa a acreditar em todas as outras pessoas, ele só quer acreditar em tudo que já me aconteceu. Nada de destino, impulso, erro. As pessoas mentem, nos fazem sofrer, e temos que aprender a deixa-las para trás. Jay é uma dessas coisas. Coisas boas podem ser nutridas, mas com uma certa distância que é para não cair no erro de se entregar mais uma vez. Me recuso ouvir o lado direito, esse me parece mais certo.
O último bilhete que tinha para te entregar ainda está conservado entre o velho livro de histórias que eu lia no dia em que choveu e eu vi sua camiseta preta com pequenos pingos nos ombros e seu rosto parecia se desmanchar com a intensidade da chuva como papel, eu não pude resgatar nada. Nem de nós e nem de você. Ficou perdido Jay, confuso. Um pingo me acertou o braço e o outro minha nuca enquanto olhava o trabalho das gotas na calçada. Meu objetivo estava tão próximo que nem me preocupei em mais nada a não ser com a próxima esquina.
Bati na porta já limpando os pés, com uma intimidade que não soube explicar da onde veio. O cheiro de arroz, tortas e um perfume de mulher inundavam a chuva daquela tarde de quarta-feira. Em algum lugar por ali alguém se apaixonava e outro chorava pela morte de alguém querido. Eu deveria estar em algum outro lugar, fazendo alguma coisa que certamente outra pessoa estaria fazendo também, mas não estava. Jay também deveria estar em outro lugar, mas eu também sabia que não estava. O barulho da porta velha ecoou na varanda, e um sorriso divertido brincava no rosto de Jay.
- Posso entrar? - Disse Doroty envergonhada
Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la. (Augusto Curi)

quarta-feira, 3 de março de 2010

Estações



Já havia passado a tarde toda observando, a noite começava a cair e lá estava a Pequena Solitária. Como todos eles a chamavam. As pessoas que ocupavam o parque, digo. Sempre ali sentada, parecia analisar os movimentos de todos que passavam por perto, ela os estudava, e guardava suas analises na mente há algumas semanas. Sentada na frente do expansivo lago que ela observava durante minutos, longos minutos, difíceis minutos.
Seus olhos pareciam refletir a água de lá, e Pequena Solitáira chorava ali, silenciosamente enquanto as pessoas passavam por ela sem notar o quanto ela parecia estar sofrendo. E eu observava o seu longo cabelo preto de contraste com aquela neve branca que começava a cair no parque, mas ela ainda continuava ali. As pessoas iam e vinham, e a Pequena Solitária ainda ali.
O que há de errado com ela?, eu ficava me perguntando. E sempre me encontrava encarando o frio, o vento só para ver a Solitária em sua espera pelo incompreensível. No dia mais frio em que havia encarado para encontra-la, eu a via indo pelo caminho para onde poderia ser sua casa, ou para onde ela provavelmente acharia o que tanto procura, não posso dizer com certeza, só posso afirmar que ela não apareceu no dia seguinte, e nem no outro, e nem na semana seguinte, e muito menos no mês seguinte. Eu sempre ia ali para vê-la, e ela nunca estava lá. E quando me dei por mim, estava passando pelo parque novamente, tão mudada, tão crescida! O parque parecia outro sem toda aquela neve, era primavera. O cheiro de flores inundava o lugar, e quando me vi, estava sentado no banco da Pequena Solitária.
Então entendi. O que ela fazia lá, o que ela esperava, o que ela procurava, e então eu percebi o que eu procurava. Aqueles meses todos me questionando sobre seu destino, sobre se ela finalmente haveria encontrado a quem ela tanto procurou, e ali estava eu, procurando por respostas. Era tão incomum ter tantas perguntas zanzando em minha cabeça. Perguntas eram interrompidas por mais outras que queriam atenção, e respostas pareciam querer saltar de minha língua a cada urgente negrito que aparecia em meus questionamentos. Resolvi ir embora.
No dia seguinte, automaticamente me vi passando em frente ao seu banco e ao lago. As tantas lágrimas que a Pequena chorou, todas reunidas ali, uma a uma, sofrimento por sofrimento, dia a dia. Refletidos como num espelho, se expondo, disputando para serem apreciados. E mais uma vez eu pareci ve-la refletida em suas aflições.
Um pequeno papel estava preso entre minha surradas butinas e o gramado verde primaveril, se retorcendo sempre que o vento soprava, implorando por liberdade. Eu ergui o pé e o seguirei entre o dedo polegar e indicador. Havia uma singela mensagem. "Cara observadora, veja além do que os olhos podem ver. Veja com o coração" Não me interessei pelo remetente, ou endereçado.
A cena se repetiu por mais duas vezes e ambas com a mesma mensagem. E logo estava eu lendo a todos os pequenos papeis jogados, esperando que houvessem mais bilhetes. Entre o jornal e a carta de meu namorado, ali estava, mais um pedaço de papel rasgado: "Talvez se sinta sozinha, procure o poço de minhas lamentações, ele lhe acolherá como me acolheu".
Não demorou muito, e ali estava eu, como a Pequena Solitária, observando os outros, na incessante busca do futuro, chorando por reflexos, sofrendo por tabelas, esperando que fizesse sentido.E em uma tarde de outono, havia uma pequena errônea estragando a perfeita paisagem laranja. Como as folhas, mas um conselho pousou em meu colo: "Não espere pessoas, não espere o material, procure a intenção, corrija o erro".
Já havia passado a tarde toda observando, a noite começava a cair e lá estava eu. Estava preste a ir mais uma vez para casa na busca da voz que eu procurava escutar, que me faria desistir de chorar por esperar. O lago estava ainda mais brilhante do que antes, mas do que quando a Pequena Solitária o observava. Ele não estava me refletindo. Parecia sorrir. Alguém se sentou ao meu lado, e sem olhar para mim, questionou-me:
- O que você tanto espera? Observo-te a alguns minutos, e não entendi ainda o que observa!
- Razão. - respondeu a voz que eu procurava ouvir por tantos instantes.

Ganhei um selo da Bells, tão lindinha. Obrigada amorzinho, alias, dêem uma olhada no blog dela gente: www.rastros-singulares.blogspot. Mar. Ota. (piadas internas).
Eu sei, parece muito confuso. Eu tentei afinal. Leiam escutando "I Think I'm Ready - Katty Pery" achei tão a cara desse texto esse ritmo, e espero que se apaixonem pela música e pelo texto, claro. As coisas estão parecendo se clarear, mas ainda não estão ilegiveis. Se é que me entendem... O título, não direcionem somente para as estações do ano ok? Tentem levar o texto para o lado mais profundo, ou tentem como eu! Queria agradescer por todos os comentários no outro texto, é tão importante e especial quando vocês comentam, que me sinto inpirada para escrever toda semana, haha. Obrigada!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

The diferent way to say "I love you"

É preciso lutar, é preciso interferir, você promete que me entenderá se eu falhar? Porque nada disso faz muito sentido, nada disso estava programado. E eu agora não sei como agir! Promete apertar minha mãe quando a dor apertar? Porque eu vou estar do seu lado quando seus joelhos falharem, não vou te abandonar. Vamos lutar, vamos interferir, vamos vencer!
Então, não venha aqui fora, o vento está muito forte e o frio vai fazer com que seus dedos fiquem de um branco meio amarelado, eu sei como você se sente no frio. Então entre, eu fico aqui fora por você. Faça um chocolate quente para nós e me espere debaixo dos cobertores assistindo um bom filme. Eu prometo já entrar, não passa de um inconveniente! Não se preocupe comigo, eu ficarei bem. Entre e se lembre que eu em pouco tempo estarei com você e aproveitaremos essa noite feita para nós.
Não fique com medo de perder tudo o que já conquistou, se lembre que a maioria ninguém vai poder tirar de você, nem mesmo batalhas, nem mesmo o tempo. Não se abale se alguém fizer você chorar, seu sofrimento será ruim de mais para mim. Evite se entregar, lembre que sempre me terá como seu escudo se precisar. Tente pensar muito bem se vale à pena se lamentar por alguma coisa que não lhe afetaria em um dia em que tudo estivesse dando certo, e então, depois de bem pensado se é isso que quiser fazer, chore!
Alguns dias pareceram pesadelos, mas não se desespere. Saiba que eu irei enfrentar os dragões e as torres e lhe acordarei com um beijo de seu pesadelo. Iremos passear em um parque e eu lhe mostrarei como a vida pode ser muito mais bonita vista por outro lado. Irei lhe ensinar nesses dias que você tem amigos, que você tem a mim! Você vai entender que tudo o que precisa fazer é se permitir sorrir, porque deixa que do resto cuido eu.
Mas não se iluda, haverá dias em que seus olhos estarão cegos por todos os holofortes e por todas as luzes no fim do túnel que eu lhe mostrei. E tudo parecerá o paraíso, um lindo sonho. E me perdoe, mas eu terei que lhe acordar! Eu irei te guiar e te mostrar que a vida não é tão boa assim e que há momentos em que nem tudo é tão lindo quanto eu te mostrava. No começo você ira ficar brava, e eu repito me perdoe! Depois você conseguirá ver que não é bem assim, e que a sua queda foi bem menor do que se eu tivesse continuado a seu lado e não te impedido.
E se um dia você se cansar de meus conselhos e tentativas de te fazer feliz, me avise. Eu irei mudar, irei me modelar a seu modo de vida. Podemos fazer o papel do casal que morre por amor, ou simplesmente poderemos andar pela praia de mãos dadas, o que você preferir, eu estarei disponível sempre querida G!
E dentre tantas coisas que farei por você, só lhe peço uma em troca, não se esqueça nunca que fomos feitos um para o outro, que meus sorrisos são seus e que suas lágrimas são minhas. Não se esqueça que nos pertencemos. Eu te amo.

Então pessoas lindas! Como vocês estão? Espero que não tenham pensado que eu abandonei, é só que eu não conseguia ter inspiração, mas estava me coçando para postar. E então, o que acharam? O texto era para ser um menino falando para uma menina, deve ter ficado meio confuso e não ficou tão explicito que seja um menino o narrador. Mas eu escrevi para dedicar a alguns amigos e pessoas do blog alguns conselhos. Divirtam-se, indetifiquem-se, chorem, riam, e se a carapuça servir ... Não me levem a mal pela falação, é só a saudade, me deixa um pouco tagarela. Mas agora eu já vou. Ah e comentem, comentem, comentem!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Eu preciso de você



Dez minutos antes você chegou em sua caminhote 1965 com o braço para fora escutando a rádio local, sua música favorita explodia as caixas de som.
Cinco minutos antes suas mãos encontraram as minhas e analisou meu preto cabelo liso enquanto eu não conseguia encarar suas sobrancelhas grossas.
No minuto em que te contei sua excreção não mudou nada do que cinco minutos atrás, parecia que minhas palavras ainda não o tinham atingido.
Cinco minutos depois seus olhos mostraram o pavor que as palavras deveriam exercer, mas você não foi capaz de maiores movimentos do que piscar e respirar.
Dez minutos depois suas mãos se desvenciliaram das minhas e me olhou com aquele pavor refletidos em seus olhos.
Quinze minutos depois eu já estava com coragem de olhar para seus olhos e com tal movimento você deu um passo para trás.
Vinte minutos depois ainda estávamos na mesma posição, mas o terror estava passando de seus olhos.
Vinte e cinco minutos depois você virou as costas para mim e andava sem rumo com a mão nos pequenos fios que nasciam em sua cabeça.
Trinta minutos depois você entrou no carro e encostou a cabeça no volante enquanto eu pedia aos céus para aquilo não estar realmente acontecendo.
Trinta e cindo minutos depois não me agüentava mais me ver separadade você por tão poucas coisas e não poder te beijar, apenas uma barria e uma porta de carro. Nosso amor ia alem disso não é?
Quarenta minutos depois e eu andei para o lado ao contrário ao teu, aqueles olhos tristes era mais do que eu poderia suportar, mais do que alguns quilos, muito mais.
Quarenta e cinco minutos depois me arrisquei olhar para meu antigo amado e nossos olhares se encontraram e eu podia ver o terror refletido em meus olhos assim como nos dele.
Cinqüenta minutos depois ouço a porta do carro se fechar e o inalei freneticamente o ar do campo aquilo me lembrava chuva, era tão reconfortante.
Cinqüenta e cinco minutos depois você estava atrás de mim e as lágrimas agora escorreriam por minhas maçãs do rosto como escorriam por entre os dedos de uma criança.
Sessenta minutos depois você passou sua grosseira mão pela minha face de um jeito doce limpando a minha lágrima e dizendo “Eu ainda te amo”.

E então amores, como vocês estão? Ah e então escrevi esse textinho pensando plenamente na minha música do momento: Papa Don't Preach (Papai, não faça sermão). O Glee regravou essa música antiga da Modonna e com certeza ficou bem melhor na voz da Dianna Agron ficou bem mais bonita, eu recomendo :)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Verdades



- Mais uma vez, a única coisa que eu posso te dizer é que eu sinto muito. Sei que você me ama, e que faria tudo por mim, mas tente entender, eu também te amo! Te amo a ponto de dizer que não é com você que eu sonho todas as noites. Eu não posso ver você sofrer, será que é tão difícil entender isso? Porque você parece que não compreende que eu quero sim tua companhia, mas não os teus beijos? Eu faço tudo isso para não ter meu nome na boca de suas amigas, como se eu fosse o cafajeste. Me diga, você quer que fiquemos juntos? Pois assim ficaremos. Mas logo lhe aviso Nelly, não haverá caricias e nem menos juras de amor eterno, porque não é a ti que eu quero dedicar minhas promessas. Não vou iludir-lhe, você não merece um fingimento. E se me ama o tanto quanto diz, então, tente não chorar. Aquelas lágrimas me cortam o coração mais que navalhas, a dor é pior que a de ácidos em uma ferida. Poderemos ficar juntos para sempre, se prometer que irá entender-me quando digo que teu lugar não é ao meu lado. Me desculpe, não era minha intenção fazê-la sofrer, mas eu precisava que você olhasse para as coisas com os meus olhos, veja como é difícil a situação vista por este ponto.
Ele fez uma pausa em sua fala, e a minha reação foi simplesmente calar-me. Sim, apenas isso. E então, ele deu um passo em minha direção e abraçou-me. Aquilo era tudo que eu pediria a minutos atrás, antes de saber como ele se sentia, sorri. e ele terminou o discurso:
- Desculpe-me. E agora me diga, o que iremos fazer? - Eu ainda não tinha pensado em uma resposta, mas eu disse uma resposta tão rápido quanto ele se desfazendo de meu abraço.
- Não quero mais lhe ver!
- O-o que? - sua reação era esperada, mas eu já estava certa do que iria fazer.
- Se quer que não chore mais, eu terei que esquecer-te! E nunca conseguirei com você perto.
- Mas eu sou teu amigo, gosto de tua companhia.
- Se gosta mesmo de mim, irá entender, que eu preciso te esquecer, e você tem que permitir.
Ele nada respondeu, apenas virou as costas, colocou o chapéu preto que parecia impecavelmente limpo. Abriu a porta e ambos apreciamos a vista do jardim que tínhamos de lá, o vento soprava forte e o cheiro de tempestade inundou a grande sala em que nos encontrávamos. As folhas dos orvalhos eram raivosamente chicoteadas o que provocava horrendos sons. Hinth olhou por sobre o ombro para mim e acenou, gesto que me faria chorar por horas a fio, mas mesmo com aquele inquietante barulho, abri um sorriso e acenei de volta e então a porta se fechou

E então como estão? Provavelmente meu último texto das férias, e era para ser meio de época, mas não sei se consegui o resultado que queria. Estou viajando e domingo irei ler o blog de todos, eu prometo. Me sinto tão discituada do mundo quando viajo, e não vejo a hora de voltar. Estou lendo "O morro dos ventos uivantes" - segunda edição e tenho que confessar que estou completamente apaixonada! Ah e a foto também é minha!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Despedida

"Sou a típica menina problema conhecem? Eu não me importo com horários, nem com notas. Minha única preocupação é em ver o Sol nascer. Já não me importo muito com as minhas roupas e nem mesmo com a higiene. Minha vida é rodeada por festas, bebidas e drogas. Já não volto para casa a 2 semanas, e da última vez que vi minha mãe ela tinha ido me buscar em uma festa, e eu não me lembro direito o que aconteceu porque eu estava bêbada. Eu era viciada em drogas fortes, e muitas delas eu comecei a usar por interferência de um namorado que me levava a essas festas, mas até então eu não usava muitas coisas, apenas o acompanhava. Ele começou a se afastar de mim por eu ser uma menina muito "certinha" como ele dizia, e ai eu experimentei. Mas não foi suficiente para ele voltar a gostar de mim, e então, eu estava sem namorado e viciada. E para concertar o meu coração a Tequila virou uma de minhas melhores amigas.
Eu não tinha verdadeiras amigas, eram sempre os mesmos coitados que eu via em todas as festas, todos iguais a mim: viciadas e sem mais nada a perder. Estávamos todos no mesmo barco, mas mesmo assim não lembrávamos de rostos que tínhamos vistos a poucos minutos. Ninguém tinha nada sério com ninguém, sempre era um diferente, mas nunca estávamos sozinhos.
E as coisas começaram a ficar ainda mais difíceis, depois de um tempo o nosso dinheiro não dá mais para as doses de drogas e a Tequila não faz mais efeito. Então, eu comecei a apelar para minha própria casa, eu acharia dinheiro, e não era realmente roubo já que era a minha mãe não é? A Tequila começou a ser trocada por Pinga pura e mesmo assim, ainda não era o suficiente.
Em uma das noites em que eu não tinha achado um lugar para passar a noite eu estava sentada na calçada na frente de um bar, e então o meu primeiro namorado saiu de lá abraçado com uma menina. Ele estava ainda mais bonito que nunca, e estava tão feliz, não havia nenhum traço de preocupação quando seus olhos pretos encontraram os meu verdes com a maquiagem borrada. E aquilo não era justo, eu queria ser a menina que estava abraçada com ele, não a que ele sente desprezo, dó.
E então comecei a me distanciar das drogas, mas a bebida ainda muito presente. Mas a cada dia que eu ficava melhor parecia que minha vontade diminuía, e eu queria cada vez mais aquelas drogas que me faziam esquecer o propósito de meus choros. E então, uma vez eu cedi a vontade e fui a uma festa em que eu voltara a minha antiga vida e foi o suficiente.
Eu não consegui mais ter vontade de parar com isso, já que eu iria ficar sóbria iria ter que lutar contra as dores de uma rejeição sem a ajuda das drogas e do álcool. E o amor da minha vida estava se divertindo enquanto eu estou aqui sozinha tentando lutar contra mim mesma, alguém por favor me ajude?
E finalmente eu me cansei de tudo, e estou desistindo de viver. Não pense que eu não sou corajosa, eu tenho certeza que eu iria conseguir me livrar do vício e seguir uma vida normal. Iria passar por cima de todos os preconceitos, e todas as pessoas iriam ser nada para mim. Mas lutar contra os outros é muito mais fácil do que contra si mesmo. E então, eu estou desistindo de mim mesma, o que não é fácil, mas mesmo assim eu fiz. E só queria deixar claro, tudo que eu fiz na minha vida não valeu a pena, eu trocaria tudo por um desejo: nem ter começado essa despedida, não ter trocado o amor de minha mãe e a minha cama por uma dose de Pinga e uma balinha"
Jornal Local: e essa carta foi encontrada ao lado do corpo de uma jovem de apenas 17 anos que morreu de overdose após 2 anos morando nas ruas.

E então, um texto dramático, muito diferente dos românticos que eu escrevo, muito mesmo. Mas eu senti que precisava escrever alguma coisa diferente, um desafio. E depois de lembra de "Eu, Cristiane F." eu resolvi escrever esse textinho, espero que surpreenda mas que não seja pelo lado ruim. É só uma brincadeira, eu queria ver até onde conseguia chegar, o propósito é mesmo chocar! Meu medo de publicar é tamanho, não sei como irá ficar minha "reputação" depois disso. Então, por favor, comentem. A opinião de vocês com certeza vai fazer diferença!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Torres



Te amar é como se a cada passo que eu desse para frente eu regredisse mais. Me olhar no espelho se tornou algo vergonhoso, os olhos inchados, as olheiras cada dia mais profundas, marcas de você por toda parte. E eu já estou cansada de repassar os versos de nossa canção mentalmente tantas vezes, e não poder esquece-los. Cada vez que eu escuto o timbre de sua voz eu quero correr para os seus braços, mas com o tempo eu pude construir barreiras que me impedem de correr para você, ou de você. Eu só fico aqui, no mesmo lugar, esperando que um dia você escale essa torre e me dê o nosso primeiro beijo de amor eterno.

Então, eu estou sem nenhuma idéia, completamente sem nada! Esse texto acima é um dos meus textos mais antigos, e eu gosto tanto dele. Foi o primeiro texto que eu realmente gostei, e como eu estou sem nenhuma criatividade, aqui está. Faz muito tempo, mas se eu não me engano, eu me inspirei em We are broken - Paramore. Ela fala de torres, mas o sentido é um pouco diferente. E então, eu fiquei muito feliz com os comentários no outro post, estava me matando para postar alguma coisa, mas a criatividade não ajudava em nada. Meu horóscopo disse que esse ano eu ia ser bem criativa. Será que ela está tão intima assim de mim que está brincando de esconde-esconde? Enfim, paro por aqui, vocês não são obrigadas a ler minhas besteiras.